22 setembro 2019

A Internet das Coisas Inovando os Relacionamentos Comerciais


A Internet das Coisas continua abrindo o caminho para inovações, mas também obrigando a todos a reverem seus conceitos em relacionamentos comerciais.

Recentemente a Tesla informou a alguns proprietários dos seus carros elétricos mais simples, e que estivessem no caminho do furacão Dorian, que seus veículos teriam sua autonomia aumentada, para ajudá-los a se afastar do perigo. Mas como assim? Autonomia aumentada por decreto do fabricante?

É que os modelos mais baratos têm sua autonomia limitada por software e isso permitiu à fábrica retirar essa limitação momentaneamente via Internet das Coisas, com o envio de um comando remoto.

Mas, espera um pouco... Então o automóvel tem baterias para uma autonomia maior, mas essa autonomia não é liberada porque ele foi comercializado com preço menor? Então, o que foi vendido aqui? Um automóvel ou um direito de uso? É possível fazer um upgrade? Ou pagar por mês? Neste mês eu quero uma autonomia maior porque vou sair de férias, mas nos meses seguintes não precisarei.

Esse conceito de direito de uso se aplica bem ao mundo do software, onde o cliente compra uma licença que lhe dá o direito de uso sobre o software. Há alguns anos você comprava uma licença e tinha direito vitalício sobre o uso daquele software, naquela versão específica que você comprou. Se quisesse atualizar o software para uma versão mais nova, teria que pagar de novo, se bem que as empresas até ofereciam descontos para um upgrade.

Mas até isso foi mudando, e hoje a maioria dos softwares são adquiridos em licenças periódicas (mensais ou anuais), sendo que ao fim do período de validade a licença precisa ser renovada. Se não for, o software deixará de funcionar!

A Microsoft faz isso hoje com seu pacote do Office, onde todo mês eu pago um valor relativo às opções e quantidades que decidi “assinar”; mas ela não fez isso com o sistema operacional Windows. Aqui, por enquanto, a licença é vitalícia (sem garantia de novas versões gratuitas).

É difícil dizer o que a maioria dos clientes acha dessa postura da Microsoft, posto que, na verdade, eles não têm opção. Eu, particularmente, até gosto, pois estou sempre atualizado. Antes, eu tinha que desembolsar valores maiores pontualmente para ter meus softwares atualizados (provavelmente a cada dois ou três anos) e ainda tinha as questões de compatibilidade com outros usuários que não haviam atualizado suas versões.

Então, quando falamos de software, até faz sentido pensarmos em licenças de uso, quer sejam vitalícias ou de duração determinada.

Mas quando falamos de objetos mais “físicos”, que agora se tornam inteligentes, como automóveis, geladeiras, TV´s... o que estou comprando?

 Imaginemos uma máquina de lavar roupas que tem conectividade WiFi e que pode ser monitorada e controlada por um aplicativo gratuito do fabricante em meu smartphone. O que comprei? As partes mecânica e eletrônica têm garantia de um ano, mas mesmo depois disso, consigo alguém que conserte minha máquina com peças originais do fabricante por pelo menos cinco anos. Mas e a conectividade? Ela me pertence? Paguei alguma coisa por isso?

E se o fabricante decidir retirar do ar sua plataforma na nuvem e tornar o aplicativo inútil? Logicamente, que ele vai perder muitos clientes, mas teria eu direito a algum ressarcimento?

E se o fabricante desenvolver uma forma mais eficiente de lavar roupa, usando a mesma mecânica e eletrônica que eu já tenho? Bastaria uma atualização do firmware/software da minha máquina para ela estar atualizada, mas teria eu direito a essa atualização? Quanto custaria? Quais meus benefícios e garantias de resultado?

Será que chegaremos ao ponto deste fabricante oferecer dois produtos separados, a máquina por um lado e a inteligência por outro? A primeira em uma relação comercial de compra de mercadoria e a segunda de prestação de serviço?

E eu posso comprar uma máquina “genérica”, como hoje compramos um notebook, e decidir quais os softwares ou serviços que vão rodar nela?

Se pensarmos bem, as TV´s smart já são quase isso. Antes eu pagava por serviços via cabo, hoje pago por serviços como o Netflix que vão rodar diretamente na minha TV.

E quais são os facilitadores dessa mudança de relacionamento comercial? Com certeza é a conectividade que estes produtos hoje oferecem, conectividade essa muito diretamente relacionada com os conceitos de Internet das Coisas. É a Internet das Coisas que permitiu o barateamento e universalização (mesmo que ainda sem padronização) da conectividade e das ferramentas que facilitam a vida dos que se interessam em oferecer esses recursos adicionais.

A Internet das Coisas induziu à criação de um meio ambiente propício para que seus benefícios se tornassem disponíveis. Ela precisou de hardware de comunicação e sensores baratos e confiáveis. Ela precisou de estruturas na nuvem que facilitassem a coleta, tratamento e análise de dados. E assim nasceram os esforços em melhorar as redes WiFi e Bluetooth, e em criar alternativas como LORA e outras. O mercado de smartphones deu sua colaboração também, ao criar um mercado de milhões de unidades por ano, para o qual fabricantes desenvolveram centenas de produtos de microeletrônica, como GPS, sensores e câmeras, que hoje estão disponíveis a qualquer um por preços irrisórios. A Internet das Coisas também propiciou o aparecimento de plataformas na nuvem que pudessem ser utilizadas por qualquer empresa interessada, sem precisarem desenvolver suas próprias infraestruturas.

E as empresas viram na Internet das Coisas um caminho para inovar seus produtos e com isso renovar seu mercado, com seus produtos inteligentes. E agora, buscam aprender como inovar e renovar seus relacionamentos comerciais, sempre procurando aumentar a lucratividade e a base de clientes.

Resta ver como o público consumidor vai reagir a isso. Passivamente, aceitando os novos termos, ou de forma mais participativa, entendendo melhor o que está acontecendo e querendo obter mais benefícios pelo dinheiro pago ao fabricante?

E, para tornar o relacionamento fabricante-cliente ainda mais interessante, não podemos nos esquecer que um grande motivador para as iniciativas por parte dos fabricantes é obter informações de uso e de hábitos do seu consumidor. Ou seja, além do valor monetário pelo produto entregue eles querem o valor “cibernético” que os seus clientes podem lhe proporcionar. É por isso que os aplicativos são oferecidos gratuitamente: quanto mais usuários, mais informações!

Portanto, neste mundo de produtos inteligentes e Internet das Coisas o cliente passa também a ser fornecedor e, seguramente, vai querer ser remunerado por isso!

Para que este novo relacionamento se torne duradouro precisamos que todos os envolvidos sejam mais transparentes em suas intenções e que o novo fornecedor (o cliente) seja mais interessado e participativo nessa troca de valores.

Será que veremos isso acontecer de forma consistente nos próximos anos?

29 julho 2019

Como Escolher uma Plataforma na Nuvem.



Uma solução de automação para a Casa Inteligente que possa ser classificado como Internet das Coisas precisa atender a alguns requisitos técnicos e um deles é o uso de uma plataforma na Nuvem. Esta plataforma deve prover, entre outras coisas, conectividade, tratamento de dados e acesso a ferramentas de inteligência artificial.

Todo fornecedor ou aspirante a fornecedor que queira entrar no mercado da Casa Inteligente com Internet das Coisas deve escolher com cuidado qual plataforma utilizar.

Este artigo, publicado pelo José Pinelli no site do Tudo Sobre IoT apresenta uma visão bem didática e esclarecedora dos pontos que devem ser considerados nesta escolha. Espero que lhes seja útil.

15 julho 2019

IoRT – Internet of Robotic Things ou Internet das Coisas Robóticas


Mais um subconjunto do mundo IoT? ou apenas mais um “rebrading” dentro das técnicas de marketing?

O artigo deste link tenta dar um destaque para o uso de Internet das Coisas junto com robôs, sejam eles industriais ou mesmo de uso caseiro. Ele cita os componentes e a estrutura de uma aplicação IoRT, suas potenciais aplicações e até tenta dar uma formatação ao mercado mundial.

Será que faz sentido ou é apenas uma forçada com objetivos de marketing?

Para mim, um robô na Internet das Coisas traz alguns pontos a serem considerados, principalmente os aspectos referentes a mobilidade e estar em um ambiente mutável, que precisa ser continuadamente observado e interpretado. Mas não é com isso que um veículo autônomo precisa se preocupar?

Qual seu voto? Marketing ou um segmento que merece ser tratado de forma diferenciada?