26 junho 2020

Invista em ter uma Casa Inteligente e tire proveito da Inteligência Artificial

Autor: George Wootton
Publicado na revista Audio & Video Design, edição 178

Aos poucos, a Internet das Coisas está tomando conta de tudo que nos cerca. Temos a Casa Inteligente cuidando do nosso dia-a-dia; temos a Cidade Inteligente cuidando dos nossos deslocamentos e agilizando os serviços que o poder público nos presta; temos a Indústria 4.0 permitindo melhor produção e menor custo; temos a Internet das Coisas cuidando de nossas colheitas e rebanhos. E por aí vamos, encontrando a Internet das Coisas conectando sensores, atuadores e seres humanos em praticamente todas as atividades do nosso dia-a-dia.

Mas a Internet das Coisas é só um meio de conexão e ela precisa de uma parceira para realmente ser “diferente”. Ela consegue uma quantidade gigantesca de dados e consegue estar eu quase todos os lugares, mas falta algo. O que fazer com esta gigantesca colheita de dados que a Internet das Coisas nos oferece?

Temos a Inteligência Artificial, algo ainda meio estranho para muitos, que tem como premissa básica simular um processo de aprendizagem. Leia a íntegra do artigo clicando aqui

18 dezembro 2019

Novo Padrão de Conectividade Deve Redefinir o Mercado da Casa Inteligente


Sabemos que hoje o universo da Casa Conectada/Inteligente utiliza uma bela mistura de protocolos, aplicativos, API´s e maneiras, algumas esdrúxulas, para que os produtos inteligentes se conversem minimamente.

O resultado desta bagunça é que o fabricante precisa escolher para que lado ele vai, tendo a obrigação de mercado de ir para vários, aumentando seu custo de desenvolvimento e suporte.

E o cliente, que não está ciente nem consciente desta bagunça, fica perdido e não gosta de ter que se preocupar com possíveis incompatibilidades entre estes fabricantes. Ele não entende porque o dispositivo que ele comprou fala com o Google Assistant mas não fala com o Alexa, ou vice-versa.

Quando temos uma bagunça assim, quem costuma ganhar a briga é o mais forte, impondo seus padrões ao mundo. E este padrão do mais forte estava começando a se mostrar através da plataforma chinesa Tuya. De forma clara ou disfarçada, mais e mais produtos aparecem no mercado utilizando esta plataforma; algumas marcas nem se preocuparam em desenvolver aplicativos próprios, utilizando um dos vários oferecidos pela Tuya.

Com isso, começamos a ver um padrão “de facto” começando a se definir, como já aconteceu em muitos outros mercados menos tecnológicos.

Mas, algumas grandes empresas parecem estar preocupadas com esta dominância e decidiram fazer algo a respeito. E estamos falando de empresas realmente grandes, como a Apple, a Amazon e o Google!

Estas empresas decidiram que é chegada a hora de arrumar a bagunça, para o bem dos usuários, dos fabricantes e delas mesmas. E se juntaram à Zigbee Alliance (uma aliança de empresas promotoras do protocolo Zigbee, muito utilizado em sistemas de automação residencial). O Zigbee Alliance trouxe para o grupo empresas como Legrand, Schneider Electric, SamrtThings (Samsung), Silicon Labs, Somfy e Wulian.


Este grupo de empresas acaba de lançar o que eles chamam de Project Connected Home over IP, que pode, talvez, ser melhor traduzido como Projeto Casa Conectada usando IP.


De forma resumida, o objetivo deste projeto é desenvolver um novo padrão de conectividade, sem royalties, visando aumentar a compatibilidade entre os produtos para a Casa Inteligente, tendo a segurança como pedra fundamental deste desenvolvimento.

O grupo acredita que este novo padrão deva ser uma espécie de evolução sobre o IP e que deva, de certa forma, incluir o WiFi 802.11ax (WiFi 6), o Thread (802.15.4), a versão IP do Bluetooth BLE 4.1, 4.2 e 5.0 e, posteriormente, redes celulares e a própria Ethernet. O Zigbee, obviamente, também está incluso, principalmente no que se refere ao seu modelo de manipulação de dados, o Dotdot (o Zigbee já segue o padrão 802.15.4).

Você pode obter um pouco mais de informações técnicas e acompanhar o desenvolvimento neste link do projeto.

E como isso afeta os usuários? O Projeto promete reduzir as incompatibilidades entre os produtos e simplificar os procedimentos de conexão, sem que se perca a funcionalidade dos produtos hoje existentes.

E como isso afeta os desenvolvedores? O Projeto tem em mente definir uma forma padronizada de conectividade, programação, manipulação de erros e atualizações, compatível com todos os assistentes virtuais que incorporarem o Projeto. Eles também estão cientes que deverão fornecer caminhos tanto para manter a compatibilidade com o que vem sendo desenvolvido, quanto facilitar a migração de produtos prontos para o novo padrão.

Mas, o que tudo isso significa na prática e com isso afeta nossos fabricantes e desenvolvedores?
Se você é um fabricante já produzindo e vendendo ou uma startup querendo entrar no mercado de venda de produtos, não pare de fazer o que está fazendo, mas comece a considerar que uma parte do seu desenvolvimento vai virar commodity, como hoje são os chipsets de comunicação. Do mesmo jeito que é contraproducente desenvolvermos e fabricarmos chips de WiFi ou BLE, sendo melhor comprá-los testados e certificados diretamente no mercado, a engenharia de desenvolvermos soluções individuais e diferenciadas para a compatibilidade com o mundo da casa inteligente também passará a ser contraproducente.

Como consequência, o fabricante precisará focar mais no que seu produto faz, suas funções e utilidades, do que como ele faz a conectividade. Esse novo padrão reduzirá custos e aumentará a concorrência. Logo chegará a hora em que seu diferencial não será mais a conectividade, como hoje ninguém escolhe uma TV por ser smart, já que todas são, em um grau ou outro.

Assim, se você é fabricante, continue apostando no mercado, mas leve em consideração que muito em breve os diferenciais do seu produto deverão ser inerentes ao seu uso.

Se você está mais ligado ao campo do software, das aplicações dos dados e informações coletadas do mundo conectado, da inteligência artificial e de seus usos em aplicações referentes à Casa Conectada/Inteligente, continue com seu trabalho, já que sua grande contribuição é o desenvolvimento da ideia, do algoritmo lógico e não da codificação. Sua vida ficará um pouco mais fácil com a adoção deste novo padrão e suas soluções serão mais “internacionais” pois poderão ser aplicadas mais globalmente sem muito preocupação com adaptação de códigos. Isso implica em que você deve começar a pensar também onde suas soluções possam ser úteis fora do contexto Brasil.

Em suma, tanto para fabricantes quanto desenvolvedores, este novo padrão deverá trazer mais oportunidades, menores custos e mais concorrência, implicando em um mercado cada vez mais volumoso e atraente.

E para o usuário tudo isso se traduz em mais opções, menores preços, simplicidade, e confiança, já que as empresas que encabeçam esta iniciativa sabem o que perdem se não entregarem um padrão que respeite tanto a universalidade quanto a segurança e proteção das informações pessoais de seus usuários.

Só nos resta acompanhar o desenvolvimento deste novo padrão e torcer que atinja seus objetivos. Este esforço, se bem sucedido, deixará a Casa Conectada/Inteligente mais perto da sua solução de conectividade ideal.

A este respeito, leia também a nossa coluna na revista "Homr Theater & Casa Digital" do mes de janeiro 2020: http://www.aureside.org.br/_pdf/ht_aureside.pdf

13 dezembro 2019

Uma Bela Iniciativa Brasileira no Mundo da Casa Inteligente!


Saiu ontem na mídia uma notícia muito interessante para nós do mundo da Casa Conectada/Inteligente:

O Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL, juntamente com a empresa nacional Pixel TI e com a francesa Thales Group, estão viabilizando um projeto para a criação de gateway para aplicação residencial.


Ainda não há muitas informações técnicas a respeito, mas o artigo (leia ele aqui) menciona que o gateway irá utilizar a rede NB-IoT (Narrowband IoT) para interligar os vários dispositivos da residência à Nuvem.

A ideia de termos um gateway que não dependa do WiFi da residência me parece muito boa. Sabemos da dificuldade que o morador tem em conectar dispositivos não tradicionais à sua rede doméstica. E mais dificuldade tem ao gerenciar esta rede quando, por exemplo, altera a senha; se não fizer a alteração em todos os dispositivos conectados, o morador fica com uma casa desconectada.

Mas, como ainda não sabemos muito sobre este desenvolvimento, me permitam definir o que eu gostaria de ver nesse gateway.

Esse gateway seria multiprotocolo.

Há hoje no mercado dois protocolos para redes sem fio bastante difundidos no mundo da automação residencial: O Zigbee e o Zwave. Ambos são tipo mesh, ambos são de baixo consumo, mas nenhum deles, ainda, é realmente aberto e universal. É verdade que estão em busca dessa universalidade, mas ela ainda não está disponível. Ainda não é plenamente transparente trocar uma lâmpada de um fabricante por uma de outro fabricante sem termos que “engenheirar” esta troca.


Eu gostaria de ver este gateway saber lidar com ambos os protocolos sem complicações para o usuário.

Temos ainda muitos dispositivos utilizando WiFi e Bluetooth, e estes protocolos têm suas vantagens e suas aplicações. Eu gostaria de ver este gateway também saber lidar com eles.

Como este gateway se comunica com a Nuvem através de um protocolo IoT provido por empresas terceiras, posso imaginar que praticamente nunca eu vá perder a comunicação com o gateway, bastando ter um smartphone conectado à Internet. Mas, e se a rede IoT falhar? Que bom seria se esse gateway conseguisse entrar na minha rede doméstica e me dar um mínimo de controle sobre meus dispositivos conectados.

Mas esse gateway não viria sozinho. Por um lado, eu teria todo e qualquer fabricante de produtos conectados que utilizem de forma correta os protocolos oferecidos pelo gateway, me dando liberdade de escolha e criando uma concorrência saudável para os preços ao consumidor.

E por outro lado, este gateway estaria intrinsicamente conectado a uma plataforma na nuvem que me oferecesse a inimaginável gama de serviços que a junção de IoT, Big Data e Inteligência Artificial possa me oferecer.

E como essa plataforma estaria também disponível para terceiros interessados em desenvolver aplicações, eu poderia escolher os serviços e seus fornecedores sem me preocupar com detalhes técnicos. E como estaríamos num mundo universalizado pelos conceitos IoT, estes desenvolvedores também não precisariam se preocupar com quais produtos eu teria; eles somente precisariam focar nos dados e informações, já padronizados, que eu estaria oferecendo a eles.

E como eu acredito no balanço econômico entre forças, toda essa conectividade e esses serviços na nuvem seriam de graça! Ou melhor, seriam em troca de poderem utilizar meus dados, de forma segura e anônima, para aprenderem mais de nós, usuários de produtos conectados; saber como nos comportamos e quais nossas preferências são informações muito úteis para que estes prestadores de serviços a ofereçam a outros fabricantes. Eles que paguem o custo de eu deixar usar minhas informações.

Mas, vamos guardar o sonho um pouco e esperar por mais notícias. Espero que esta iniciativa realmente se concretize em produtos e soluções brasileiras que atendam tanto o nosso mercado quanto mundialmente.

PS: um pouquinho mais de sonho: quando teremos os dispositivos inteligentes diretamente conectados à nuvem usando redes como o NB-IoT, onde eu simplesmente coloque o dispositivo na tomada e informe à nuvem, via aplicativo, que este equipamento me pertence e tudo se configura automaticamente?

Mas vamos em frente, INATEL, Pixel TI e Thales Group! Estamos torcendo pelo seu sucesso! Nos deixem informados dos desenvolvimentos!